terça-feira, 17 de setembro de 2019

Endotoxinas bacterianas - Realização das Análises

Olá caros colegas, quebrando um pouco a sequência de posts sobre meios de cultura, publico esse sobre Endotoxinas. Esse texto foi elaborado pela minha grande amiga Janaina Fernandes, Bióloga e Farmacêutica que tem um vasto conhecimento sobre o assunto.

Abaixo, estaremos falando dos detalhes da realização dos ensaios para avaliação de endotoxinas bacterianas.  Independente da farmacopeia ou protocolo a ser utilizado, os cuidados serão os mesmos.

Materiais

Obrigatoriamente, os materiais utilizados para a realização deste ensaio devem ser apirogênicos, ou seja, ausente de endotoxinas ou pirogênio.
As ponteiras das micropipetas, os frascos para diluição, os tubos para analise ou preparo da curva de calibração, a água para diluição das amostras, buffer, pinça para pesagem, tudo deve ser apirogênico.
Isso é uma condição essencial para que o resultado seja confiável e correto.
Para tal, os materiais podem ser comprados nessas condições ou no caso dos vidros e metais, podem ser despirogenizados in loco. Existem diversas técnicas para despirogenização, sendo o calor seco, a técnica mais utilizada. Para que seja eficaz, a estufa deve ser qualificada e validada segundo preconiza as farmacopeias. Sempre que for despirogenizado material, deve ser feito o monitoramento dos lotes com padrões específicos (vials) que podem ser adquiridos no mesmo fornecedor do lisado ou verificar conforme procedimentos internos.

Ambiente

Preciso trabalhar num ambiente estéril para fazer a analise de endotoxinas bacterianas?
Não é necessário fazer as diluições ou a analise em ambiente estéril, somente limpo.

É obrigatório fazer as diluições ou manipulação do lisado em fluxo laminar? Por quê?
Não, tudo pode ser feito em bancadas previamente limpas, porque a analise verifica a presença de endotoxinas que somente é liberada para o produto pós-processo de esterilização, ou seja, com a morte de bactérias gram-negativas, na maioria das vezes.

Como fazer as diluições


Como fazer as diluições é uma dúvida extremamente comum.

Para a análise de endotoxinas bacterianas, trabalhamos com volumes muito pequenos. Para fazer as diluições calculadas ou validadas, utilizamos micropipetas. Existem diversas marcas no mercado. Para tal, devem-se adquirir equipamentos confiáveis, com boa precisão e poucos erros. Dependendo da sua rotina de análises e diluições a serem realizadas, podem-se utilizar micropipetas de volume fixo ou de volume variável. Quando há a necessidade de preparo de volumes maiores de 10mL, pode-se fazer uso de pipetas apirogênicas ou pipetas automáticas de volumes variados ou fixos.

Observação: para o preparo das diluições devemos fazer uso de materiais apirogênicos, ou seja, com ausência de pirogênio ou endotoxinas conforme já descrito nos itens anteriores.




Na rotina, fazemos diluições de varias formas, uma delas é a seriada.


Como o próprio nome já diz, são diluições que fazemos em série. Como assim? Fazemos uma sequencia de diluições onde uma é parte integrante da outra.

Observação: Para manter a exatidão e reduzir os possíveis erros, utilizamos sempre a mesma micropipeta ou outras para volumes menores em menor quantidade de vezes possível.

Exemplo: Como eu faço uma diluição 1:120?

Dependendo do volume final que você irá preparar, faça a separação dos equipamentos e materiais necessários. No caso aqui, será o preparo de 1mL de volume final. Lembre-se que para a analise de endotoxinas, normalmente utilizamos volumes inferiores a 1mL (quando temos o produto ou matéria-prima já em rotina).


Pra quem não gostava das aulas de matemática na escola, sinto dizer, mas vão colocar em prática muitas das coisas que achava que nunca usaria, como raciocínio lógico, por exemplo.


Neste caso, serão utilizadas micropipetas de volume variável.

Diluição 1:12 é a mesma coisa que 1+11, ou seja, 1mL do produto inicial + 11mL de água apirogênica, como 12mL de volume final é muito desperdício de material, trabalharemos com volume menor, portanto, 10x menor. Nesse caso utilizamos 0,1mL do produto inicial + 1,1mL de água apirogênica na primeira diluição. Como estamos falando em 1:120, temos que fazer uma segunda diluição 1:10.

Mas por que 1:10?

Porque quando fazemos diluições seriadas estamos trabalhando com múltiplos. Portanto, fizemos uma primeira diluição 1:12 e a segunda 1:10, assim 12 x 10 = 120.

Nesse caso, como eu quero preparar somente 1mL de volume final, para não ter desperdício, fiz a diluição trabalhando com proporções. 1:12 é a mesma coisa que 0,1:1,2

Se fosse 1:288, como poderíamos fazer?

Primeiro faremos diluição 1:12 e depois pegamos 1mL da solução anterior e fazemos a diluição 1:24

Se fosse 1:100? Quero preparar 1mL, vou usar 0,01mL do produto mais 0,99mL de água apirogênica, ou seja, 10mL do produto mais 990mL de água apirogênica ou 2 diluições seriadas 1:10, onde 10x10 = 100.

Caso tenham dúvidas, deixem nos comentários que eu encaminho para Janaina.

Até o próximo post!

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Reinforced Clostridial Medium



Indicação de uso

O meio Reinforced Clostridial Medium, também conhecido como Meio reforçado para Clostridium, é utilizado para o cultivo e enumeração de Clostrídios, outros anaeróbios e outras espécies de bactérias em amostras de alimentos, amostras clínicas e amostras de cosméticos e insumos farmacêuticos, quando aplicáveis. Atende a Farmacopeia Brasileira (FB), Farmacopeia dos Estados Unidos (USP), Farmacopeia Europeia (EP) e Farmacopeia Japonesa (JP) para o ensaio de pesquisa de Clostridium em produtos não estéreis.

O meio Reinforced Clostridial Medium é um meio semi-sólido formulado por Hirsch e Grinstead. Este trabalho demonstrou que o meio superou outros meios de suporte no apoio ao crescimento de pequenos inóculos de Clostrídios e produziu maior número de células viáveis. Barnes e Ingram usaram o meio para diluir as células vegetativas de Clostridium perfringens. Barnes et al. usaram uma versão do meio sólido (ágar) para enumerar clostrídios em alimentos.

Reinforced Clostridial Medium é um meio enriquecimento não seletivo e permite o crescimento de várias bactérias anaeróbias e facultativas quando incubadas anaerobicamente. Este meio tem sido usado para detectar clostrídios, bifidobactérias e outros anaeróbios em alimentos e amostras fecais. Reinforced Clostridial Medium está listado na USP e FB como o meio recomendado para o isolamento de Clostridium sp em amostras de produtos farmacêuticos não estéreis

Formulação e Preparo

Fórmula Aproximada Por Litro 
  • Extrato de carne - 10,0 g
  • Peptona - 10,0 g
  • Extrato de levedura - 3,0 g
  • Amido solúvel - 1,0 g
  • Glicose monoidratada - 5,0 g
  • Cloridrato de cisteína - 0,5 g
  • Cloreto de sódio - 5,0 g
  • Acetato de sódio - 3,0 g
  • Ágar - 0,5 g 
O pH final é 6.8 ± 0.2

Reinforced Clostridial Medium contém extrato de carne bovina e peptona como fontes de carbono, nitrogênio, vitaminas e minerais. O extrato de levedura fornece vitaminas do complexo B que estimulam o crescimento bacteriano. Glicose monoidratada fornece carboidratos. Cloreto de sódio mantém o equilíbrio osmótico. Em baixas concentrações, amido solúvel desintoxica subprodutos metabólicos. Cloridrato de cisteína é o agente redutor. O acetato de sódio atua como um tampão. A pequena quantidade de ágar torna o meio semi-sólido.

O preparo do meio deve seguir as instruções do fabricante. Quanto ao tempo de esterilização, este deve estar de acordo com a qualificação do equipamento.

Micro-organismos Indicados para o Teste de Grow Promotion

Os compendios trazem uma lista com os microrganismos a serem inoculados para o teste de grow promotion (também conhecido como teste de promoção de crescimento ou capacidade nutritiva dos meios de cultura). Outros micro-organismos, como cepas in house podem ser inoculados também de modo a comprovar a capacidade do meio de recuperar os mesmos. Inocular menos que 100 UFC do micro-organismo teste ao meio. Incubar à temperatura adequada e observar o crescimento visível comparando com um controle (branco) do mesmo meio de cultura.

Para verificar a esterilidade dos meios de cultura, colocá-los em incubação por, no mínimo, 72 horas, na temperatura adequada. Não deve haver crescimento de micro-organismos.

Os micro-organismos citados pela United States Pharmacopeia e Farmacopeia Brasileira para o teste de Grow Promotion em Reinforced Clostridial Medium são:

Clostridium sporogenes ATCC 11437 (NBRC 14293, NCIMB 12343, CIP 100651) ou ATCC 19404 (NCTC 532 ou CIP 79.3)

A cepa teste de Clostridium cresce sob condições anaeróbicas neste meio em temperatura de 30° a 35°C por 24 a 48 horas. Como alternativa para preparar e depois diluir uma nova suspensão de células vegetativas de Cl. sporogenes, uma suspensão estável  de esporos é usada para inoculação em teste. A suspensão estável de esporos pode ser mantida entre 2° e 8°C por um período validado.

A ocorrência de crescimento anaeróbico de bastonetes (com ou sem endosporos) apresentando uma reação catalase negativa indica a presença de Clostrídios.

Fontes:

Difco & BBL Manual - Manual of Microbiological Culture Media – Second Edition
United States Pharmacopeia 40ª ed. 2017
Farmacopeia Brasileia 6ª ed. 2019

sábado, 17 de agosto de 2019

Mannitol Salt Agar



Indicação de uso

O meio Mannitol Salt Agar, também conhecido como Agar Sal Manitol, é utilizado para o isolamento seletivo de Staphylococcus e para a detecção de Staphylococcus aureus provenientes de amostras clínicas. Mannitol Salt Agar é listado como um dos vários meios recomendados para a enumeração de bactérias gram-positivas em cosméticos, amostras clínicas, e produtos farmacêuticos. Também usado na indústria alimentícia para o isolamento e identificação de Staphylococcus em líquidos e produtos lácteos, carnes e derivados, incluindo conservas e pescados. É usado no controle de qualidade microbiológico de produtos farmacêuticos não estéreis para Staphylococcus aureus atendendo a Farmacopeia Brasileira (FB), Farmacopeia dos Estados Unidos (USP), Farmacopeia Europeia (EP) e Farmacopeia Japonesa (JP).

Koch, em 1942, relatou que apenas os Staphylococcus crescem em meio ágar contendo 7,5% de cloreto de sódio. Chapman estudou este fenômeno em maior detalhe e concluiu que a adição de 7,5% de cloreto de sódio ao Manitol Vermelho de Fenol Ágar resulta em um meio melhorado para o isolamento de Staphylococcus de coagulação plasmática.

Formulação e Preparo

Fórmula Aproximada Por Litro

  • Hidrolisado de pancreático de caseína - 5,0 g
  • Peptona péptica de tecido animal - 5,0 g
  • Extrato de carne - 1,0 g
  • D-manitol - 10,0 g
  • Cloreto de sódio - 75,0 g
  • Ágar - 15,0 g
  • Vermelho fenol - 25,0 mg
O pH final é 7.4 ± 0.2

O Mannitol Salt Agar contém hidrolisado de pancreático de caseína e peptonas que fornecem nutrientes essenciais para o crescimento como o nitrogênio, carbono e enxofre. O cloreto de sódio a uma concentração de 7,5% resulta numa inibição parcial ou completa de outros organismos bacterianos que não são Staphylococcus. A fermentação do manitol, conforme indicada por uma alteração no indicador vermelho de fenol, ajuda na diferenciação das espécies de Staphylococcus devido à produção de ácido. Os Staphylococcus com resultados positivos para a coagulase (por exemplo, Staphylococcus aureus) produzem colônias amarelas e um meio amarelo circundante ao passo que os Staphylococcus com resultados negativos para a coagulase produzem colônias vermelhas e nenhuma alteração na cor do indicador vermelho de fenol. Agar é um agente solidificante.

O preparo do meio deve seguir as instruções do fabricante. Esterilizar em autoclave usando um ciclo validado.

Micro-organismos Indicados para o Teste de Grow Promotion

Para verificar a esterilidade dos meios de cultura, colocá-los em incubação por, no mínimo, 72 horas, na temperatura adequada. Não deve haver crescimento microbiano ou alteração de cor.

Os microrganismos citados pela United States Pharmacopeia e Farmacopeia Brasileira para o teste de Grow Promotion em Mannitol Salt Agar são:

Para promoção de crescimento (verificar a seletividade):
Staphylococcus aureus ATCC 6538, NCIMB 9518, CIP 4.83, ou NBRC 13276

Para verificar capacidade inibitória:
Escherichia coli ATCC 8739, NCIMB 8545, CIP 53.126, ou NBRC 3972

Outros micro-organismos podem ser inoculados, de acordo com a metodologia usada.  

Inocule no meio pequeno número (não mais de 100 UFC) do micro-organismo teste. Incubar na temperatura e tempo especificados no ensaio de pesquisa Staphylococcus aureus.

Após o período de incubação recomendado, as placas devem mostram colônias isoladas em áreas com estrias e crescimento confluente em áreas de inoculação mais concentradas. Staphylococcus coagulase-positivos produz crescimento de colônias amarelas com zonas amarelas. Staphylococcus coagulase negativos produzem pequenas colônias vermelhas sem mudança de cor no meio. As maiorias das outras bactérias terão seu crescimento inibido.

Várias espécies de Staphylococcus além da S. aureus têm resultados positivos para o manitol e produzem colônias amarelas circundadas por zonas amarelas neste meio (por exemplo, S. capitis, S. xylosus, S. cohnii, S. sciuri, S. simulans e outras espécies). Por este motivo, é necessário realizar outros testes bioquímicos para a identificação de S. aureus ou de outras espécies. Consultar a bibliografia apropriada.

Fontes:

Difco & BBL Manual - Manual of Microbiological Culture Media – Second Edition
United States Pharmacopeia 40ª ed. 2017
Farmacopeia Brasileia 6ª ed. 2019

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Cetrimide Agar


Indicação de uso

O meio Cetrimide Agar, também conhecido como Agar Cetrimida, BD Pseudosel Agar, Pseudomonas Selective Agar, é usado para o isolamento seletivo da Pseudomonas aeruginosa. É amplamente recomendado para uso em exame de cosméticos, espécimes clínicos, para o ensaio de pesquisa de P. aeruginosa, bem como para avaliar a eficácia de desinfetantes contra este organismo. Também é usado no controle de qualidade microbiológico de produtos farmacêuticos não estéreis para Pseudomonas aeruginosa atendendo a Farmacopeia Brasileira (FB), Farmacopeia dos Estados Unidos (USP), Farmacopeia Europeia (EP) e Farmacopeia Japonesa (JP).

A Pseudomonas aeruginosa é um micro-organismo ambiental e um importante agente patogênico nosocomial (hospitalar).

King, E.O., M.K. Ward and D.E. Raney desenvolveram o Meio A (Tech Agar) para o aumento da produção de piocianina por Pseudomonas. Cetrimide ágar tem a fórmula desenvolvida para o Tech Agar, mas é modificado pela adição de cetrimida (brometo de cetiltrimetilamina) para a inibição seletiva de organismos que não P. aeruginosa.
Em 1951, Lowbury descreveu o uso de 0,1% de cetrimida em um meio para P. aeruginosa. Devido à maior pureza do agente inibidor, a concentração foi posteriormente reduzida, relatado por Lowbury e Collins em 1955. Brown e Lowbury empregaram a incubação a 37° C com exame após 18 e 42 horas de incubação.

Cepas de P. aeruginosa são diferenciadas de outras espécies pela produção de piocianina, um composto poliaromático com alta capacidade redox pertencente à classe das fenazinas, e é um metabólito secundário que participa de vários processos biológicos. Está envolvida em aquisição de ferro, metabolismo energético, comunicação célula-célula, virulência e confere vantagem competitiva à bactéria. P. aeruginosa é a única espécie de Pseudomonas ou bacilo gram negativo conhecido por excretar a piocianina. O ágar Cetrimide, portanto, é um meio de cultura valioso na identificação deste organismo.

Formulação e Preparo

Fórmula Aproximada Por Litro

  • Hidrolisado de pancreático de gelatina - 20,0 g
  • Cloreto de magnésio - 1,4 g
  • Sulfato dipotássico - 10,0 g
  • Cetrimida - 0,3 g
  • Agar - 13,6 g
  • Glicerol - 10,0 mL
O pH final é 7.2 ± 0.2

O hidrolisado de pancreático de gelatina serve como fonte de nitrogênio e o glicerol é usado como fonte de carbono e energia. A produção de piocianina é estimulada pelo cloreto de magnésio e o sulfato de potássio presentes no meio. A cetrimida (brometo de cetiltrimetilamina) é um composto amônio quaternário, que inibe uma vasta variedade de outros organismos, incluindo outras espécies de Pseudomonas e organismos relacionados. O Agar é o agente solidificante.

O preparo do meio deve seguir as instruções do fabricante. Esterilizar em autoclave
usando um ciclo validado.

Micro-organismos Indicados para o Teste de Grow Promotion

Para verificar a esterilidade dos meios de cultura, colocá-los em incubação por, no mínimo, 72 horas, na temperatura adequada. Não deve haver crescimento microbiano ou alteração de cor.

Os microrganismos citados pela United States Pharmacopeia e Farmacopeia Brasileira para o teste de Grow Promotion em Cetrimide Agar são:

Para promoção de crescimento (verificar a seletividade):
Pseudomonas aeruginosa ATCC 9027, NCIMB 8626, CIP 82.118, ou NBRC 13275

Para verificar capacidade inibitória:
Escherichia coli ATCC 8739, NCIMB 8545, CIP 53.126, ou NBRC 3972

Outros micro-organismos podem ser inoculados, de acordo com a metodologia usada.  

Inocule no meio pequeno número (não mais de 100 UFC) do micro-organismo teste. Incubar na temperatura e tempo especificados no ensaio de pesquisa Pseudomonas.

Colônias que são cercadas por um pigmento azul-esverdeado e apresentam fluorescência sob um comprimento de onda curto (254 nm), a luz ultravioleta podem ser presumivelmente identificadas como Pseudomonas aeruginosa. No entanto, certas cepas de P. aeruginosa podem não produzir piocianina. Outras espécies de Pseudomonas não produzem piocianina, mas apresentam fluorescência sob luz UV. A maioria das espécies que não são Pseudomonas é inibida, e algumas espécies de Pseudomonas também podem ser inibidas. Coloração de Gram, testes bioquímicos e procedimentos sorológicos devem ser realizados para confirmar os achados.

Fontes:

Difco & BBL Manual - Manual of Microbiological Culture Media – Second Edition
United States Pharmacopeia 40ª ed. 2017
Farmacopeia Brasileia 5ª ed. 2010
Nascimento, A.P.B. (USP - Universidade de São Paulo); Baldini, R.L. (USP - Universidade de São Paulo) - Análise das regiões regulatórias dos operons phz de Pseudomonas aeruginosa

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Xylose Lysine Deoxycholate Agar



Indicação de uso

O meio Xylose Lysine Deoxycholate Agar, também conhecido como Agar XLD, Ágar de desoxicolato-lisina-xilose ou Ágar Xilose, Lisina, Desoxicolato, é um meio para diferenciação moderadamente seletivo utilizado para o isolamento e diferenciação de elementos patogênicos entéricos gram-negativos (Salmonella e Shigella) provenientes de amostras clínicas. É especialmente adequado para o isolamento de espécies de Shigella. Atende a Farmacopeia Brasileira (FB), Farmacopeia dos Estados Unidos (USP), Farmacopeia Europeia (EP) e Farmacopeia Japonesa (JP) para o ensaio de pesquisa de Salmonella em produtos não estéreis.

O Ágar de XLD foi desenvolvido por W. I. Taylor no sentido de aumentar a eficiência do isolamento e da identificação de elementos patogênicos entéricos, particularmente de Shigella. Os elementos patogênicos diferenciam-se não só dos organismos fermentadores de lactose não patogênicos, mas também de muitos elementos não patogênicos que não fermentam a lactose nem a sacarose. Além disso, o meio foi formulado para melhorar o crescimento de Shigella, que frequentemente, noutras formulações, não se desenvolveu devido à inclusão de inibidores tóxicos. Os resultados obtidos numa série de avaliação clínica corroboraram a reivindicação sobre a eficácia relativamente elevada do Ágar de XLD no isolamento primário de Shigella e Salmonella.

O Ágar XLD é um meio seletivo e diferencial usado para o isolamento e diferenciação de patógenos entéricos. O valor do Agar XLD no laboratório clínico é que o meio é mais favorável a organismos entéricos fastidiosos como o Shigella. O XLD Agar também é recomendado para testes de alimentos, produtos lácteos e água em métodos de teste padrão para várias indústrias. O Capítulo Geral <62> da USP que descreve métodos para pesquisa de patógenos em produtos farmacêuticos não estéreis cita o ágar XLD como meio sólido para isolamento de Salmonella, bem como a Farmacopeia Brasileira em seu capitulo 5.5.3.1 - Ensaios Microbiológicos Para Produtos Não Estéreis.

Formulação e Preparo

Fórmula Aproximada Por Litro
  • Xilose - 3,5 g
  • L-Lisina - 5,0 g
  • Lactose monoidratada - 7,5 g
  • Sacarose - 7,5 g
  • Cloreto de sódio - 5,0 g
  • Extrato de levedura - 3,0 g
  • Vermelho fenol - 80,0 mg
  • Agar - 13,5 g
  • Desoxicolato de sódio - 2,5 g
  • Citrato de amônio férrico - 0,8 g
  • Tiossulfato de sódio - 6,8 g

O pH final é 7.4 ± 0.2

O extrato de levedura age como fonte de nutrientes e vitaminas do complexo B. O desoxicolato de sódio é usado como agente seletivo e, por isso, possui uma ação inibitória em relação aos micro-organismos gram positivos. A xilose é incorporada no meio uma vez que é fermentada por praticamente todos os elementos entéricos, exceto pelas Shigellae, e esta característica permite a diferenciação das espécies de Shigella. A lisina é incluída de modo a permitir que o grupo de Salmonella seja diferenciado dos elementos não patogênicos uma vez que, sem a lisina, as salmonelas rapidamente fermentariam a xilose, tornando-se impossível distingui-las das espécies não patogênicas. Depois das salmonelas terem acabado com a fonte de xilose, a lisina é atacada através da enzima lisina descarboxilase, revertendo a um pH alcalino que imita a reação da Shigella. De modo a evitar que se dê uma inversão deste tipo por coliformes positivos à lisina, adiciona-se lactose e sacarose para produzir ácido em excesso. Para aumentar a capacidade de diferenciação da formulação, inclui-se um sistema de indicador de H2S, composto por tiossulfato de sódio e citrato de amônia férrico, para a visualização do sulfureto de hidrogênio, resultando na formação de colônias com centros pretos. Os produtores de H2S não patogênicos não descarboxilam a lisina; assim, a reação ácida que produzem impede que as colônias se tornem negras, o que acontece apenas com um pH neutro ou alcalino.

Degradação de xilose, lactose e sacarose gera produtos ácidos, causando uma mudança de cor no meio de vermelho para amarelo.

Produção de sulfeto de hidrogênio sob condições alcalinas resultam em colônias com centros negros. Esta reação é inibida pelas condições ácidas que acompanham a fermentação de carboidratos.

Descarboxilação da lisina na ausência de fermentação de lactose e sacarose provoca reversão para uma condição alcalina e a cor do meio muda de volta para vermelho.

O preparo do meio deve seguir as instruções do fabricante. Aquecer até a ebulição. Não esterilizar em autoclave.

Micro-organismos Indicados para o Teste de Grow Promotion

Para verificar a esterilidade dos meios de cultura, colocá-los em incubação por, no mínimo, 72 horas, na temperatura adequada. Não deve haver crescimento microbiano ou alteração de cor.

Os microrganismos citados pela United States Pharmacopeia e Farmacopeia Brasileira para o teste de Grow Promotion em XLD Agar são:

Para promoção de crescimento (verificar a seletividade):
Salmonella enterica ssp sorotipo typhimurium ATCC 14028 ou S. enterica ssp sorotipo abony NBRC 100797, NCTC 6017, ou CIP 80.39
Outros micro-organismos podem ser inoculados, de acordo com a metodologia usada.  

Inocule no meio pequeno número (não mais de 100 UFC) do micro-organismo teste. Incubar na temperatura e tempo especificados no ensaio de pesquisa Salmonella.
Quando há resultado positivo para Salmonella, as colônias crescem vermelho-amareladas com centros pretos.

Fontes:

Difco & BBL Manual - Manual of Microbiological Culture Media – Second Edition
United States Pharmacopeia 40ª ed. 2017
Farmacopeia Brasileia 5ª ed. 2010