sexta-feira, 4 de setembro de 2020

EMB Agar

 


Indicação de uso

O EMB Agar, também conhecido como Eosina Azul de Metileno, Eosin Methylene Blue Agar, Levine EMB Agar ou Levine Eosin–Methylene Blue–Agar Medium (LEMB-Agar) é um meio seletivo utilizado para pesquisa de E. coli em amostras de Suplementos Nutricionais E Dietéticos descrito no capitulo 2022 MICROBIOLOGICAL PROCEDURES FOR ABSENCE OF SPECIFIED MICROORGANISMSNUTRITIONAL AND DIETARY SUPPLEMENTS, USP e também citado como opção de meio em pesquisa de coliformes fecais em água na Farmacopeia Brasileira e no Standard Methods for Examination of Water & Wastewater. O EMB é um meio para diferenciação ligeiramente seletivo também utilizado para o isolamento e diferenciação de bacilos entéricos gram-negativos (enterobactérias e outros bastonetes gram-negativos) provenientes de amostras clínicas. É recomendado pelo APHA para análise de alimentos e lácteos. O EMB ágar (com ou sem sacarose) é incluído no conjunto de meios de isolamento de seletividade reduzida para a Salmonella de amostras fecais e de outro tipo. As bactérias gram-positivas como, por exemplo, estafilococos, leveduras e estreptococos fecais, poderão desenvolver-se neste meio e formar colônias punctiformes ou poderão ficar inibidas.

Logo após a publicação de Holt-Harris e Teague de um artigo que descreve um novo meio de cultura para a diferenciação de micro-organismos entéricos através do uso de eosina e corantes de azul de metileno, Levine descreveu uma modificação de sua formulação, que ele afirma ter dado melhor diferenciação entre o que agora é conhecido como Escherichia e Enterobacter espécie. As duas formulações diferem em que Levine EMB Agar não contém sacarose. Ambas as formulações foram desenvolvidas para melhorar as propriedades diferenciadoras de Endo Agar, que foi desenvolvido anteriormente.

Formulação e Preparo

Fórmula Aproximada Por Litro (Ajustada e/ou suplementada conforme necessário para cumprir os critérios do desempenho)

  • Hidrolisado pancreático de gelatina - 10,0 g
  • Lactose - 10 g
  • Fosfato dipotássio - 2,0 g
  • Agar- 15 g
  • Eosina Y - 400 mg
  • Azul-de-metileno - 65 mg

O pH 7,1 ± 0,2

O hidrolisado e a lactose servem como fonte de energia. Fosfato dipotássio é um agente tamponante. Agar é um agente solidificante.  Os corantes de eosina Y e azul de metileno em Levine EMB Agar tornam o meio ligeiramente seletivo na medida em que inibem gram- bactérias positivas em um grau limitado. Essas tinturas também desempenham um papel na diferenciação entre fermentadores de lactose e lactose não fermentadores devido à presença ou ausência de absorção de corante em as colônias bacterianas. Coliformes, como organismos fermentadores de lactose, são visualizados como colônias preto-azuladas, enquanto as colônias de Salmonella e Shigella, como não fermentadores de lactose, aparecem incolor, transparente ou âmbar. E. coli apresenta um brilho metálico esverdeado na luz refletida, preto azulado centro na luz transmitida.

Algumas bactérias gram-positivas, como estreptococos fecais, estafilococos e leveduras, irão crescer neste meio e geralmente formam colônias pontuais. Uma série de micro-organismos não patogênicos, bactérias gram-negativas não fermentadoras de lactose crescerão neste meio e deve ser distinguida das cepas patogênicas por meio de testes bioquímicos adicionais.

O preparo do meio deve seguir as instruções do fabricante. Esterilizar em autoclave usando um ciclo validado.

Micro-organismos Indicados para o Teste de Grow Promotion

Para verificar a esterilidade dos meios de cultura, colocá-los em incubação por, no mínimo, 72 horas, na temperatura adequada. Não deve haver crescimento microbiano ou alteração de cor.

As farmacopeias não apresentam as cepas para Grow Promotion, nesse caso pode-se utilizar os micro-organismos indicados no certificado do fabricante:

Para promoção de crescimento (verificar a seletividade):

Enterococcus faecalis ATCC 29212

Escherichia coli ATCC 25922

Klebsiella pneumoniae ATCC 33495

Salmonella enterica subsp. enterica serotype Typhi ATCC 19430

Salmonella enterica subsp. enterica serotype Typhimurium ATCC 14028

Shigella dysenteriae ATCC 9361

Shigella flexneri ATCC 12022

Resultados esperados

Escherichia coli - Grande, preto-azulado, brilho verde metálico

Enterobacter / Klebsiella - Grande, mucóide, preto-azulado

Proteus - Grande, incolor

Salmonela - Grande, incolor

Shigella - Grande, incolor

Bactéria Gram-positiva - Sem crescimento, para crescimento leve

Outros micro-organismos podem ser inoculados, de acordo com a metodologia usada. Nem todos os listados acima precisam ser usados. Isso vai depender do método.

Inocule no meio pequeno número (não mais de 100 UFC) do micro-organismo teste. Incubar na temperatura e tempo especificados no ensaio de pesquisa do micro-organismo de interesse.

Realizar GP em cada novo lote de meio de cultura adquirido pronto para uso ou preparado no laboratório, em paralelo com um meio de cultura previamente aprovado.

Os micro-organismos devem ser rastreáveis de uma Cultura de Coleção de Referência e devem estar em não mais do que 5 passagens da Cultura de Referência. Compare o crescimento no novo meio de cultura com o crescimento no meio previamente aprovado. O crescimento deve ser "comparável“. Não existe na USP a definição de quantidade do que é “comparável” Em paralelo realizar o controle do inóculo em ágar não seletivo: deve haver ≤ 100 UFC. E se não houver lote previamente aprovado? Considere adicionar outros Analistas do Laboratório. Use um número significativo de replicatas. A média das médias pode ser considerada como ponto de referência. Essas recomendações servem para a promoção de crescimento de qualquer meio.

Fontes:

United States Pharmacopeia 43ª ed. 2020

Difco & BBL Manual - Manual of Microbiological Culture Media – Second Edition

Farmacopeia Brasileia 6ª ed. 2019

 

sábado, 20 de junho de 2020

ÁGAR BURKHOLDERIA CEPACIA SELETIVO - BCSA




Indicação de uso

O Ágar Burkholderia cepacia Seletivo – BCSA é um meio seletivo utilizado para o crescimento qualitativo do complexo Burkholderia cepacia em amostras diversas. As espécies do complexo BCC são isoladas frequentes no ambiente, água, solo, plantas e nos seres humanos podem colonizar o trato respiratório.
O F.D.A. alertou sobre a necessidade de se testar a presença deste micro-organismo no ambiente, na água e nas matérias primas e produtos acabados devido a uma série de recalls envolvendo complexo Burkholderia cepacia.
A Farmacopeia Americana (USP) publicou no segundo suplemento da USP 42 NF 37 de 2019, por enquanto somente ela solicita o teste. Mas acredito que em breve outras farmacopeias irão solicitar esse teste. No capitulo de requisitos gerais para testes microbiológicos em produtos não estéreis, a descrição do meio BCSA para pesquisa do complexo B. cepacia (BCC). É o capítulo <60> MICROBIOLOGICAL EXAMINATION OF NONSTERILE PRODUCTS — TESTS FOR BURKHOLDERIA CEPACIA COMPLEX. Especialmente as categorias de produtos a serem testados são aquelas para uso por inalação ou preparações aquosas de uso oral, mucosa oral, cutânea ou nasal.

O crescimento de espécie B. cepacia, que pode vir a passar despercebido em meios convencionais como ágar sangue e MacConkey, devido ao crescimento lento de B. cepacia frente a outras bactérias como K. pneumoniae mucoides, P. aeruginosa e espécie Staphylococcus, o que pode acarretar em um resultado falso negativo.

Esta é uma bactéria que ao longo do tempo vem ganhando uma crescente atenção, a principio sendo encontrada em sistemas de agua e assim como a Pseudomonas, PODE criar biofilme.

Burkholderia cepacia previamente era denominada Pseudomonas cepacia. Em 1992 Bcc foi transferida do gênero Pseudomonas para o gênero Burkholderia. O gênero Burkholderia contém mais de 60 espécies. Mais tarde com a realização de 16 rRNA resultou a divisão de B. cepacia em espécies intimamente relacionadas, denominadas complexo B. cepacia. Bcc consiste em espécies intimamente relacionadas com ßprotobactéria

É uma bactéria Gram Negativa. Possui 20 diferentes espécies, mas fenotipicamente similares. As espécies do complexo Bcc são isoladas frequentemente no ambiente, água, solo, plantas e nos seres humanos, podem colonizar o trato respiratório. Patógeno oportunista causando infecções respiratórias crônicas em pacientes imunossuprimidos como pacientes com fibrose cística e hemoglobinopatias das células falciformes. São frequentemente resistentes aos antibióticos conhecidos

Formulação e Preparo

Fórmula Aproximada Por Litro 
  • Peptona Caseína - 10,0g
  • Lactose - 10,0g
  • Sacarose - 10,0g
  • Cloreto de Sódio - 5,0g
  • Extrato de Levedura - 1,5g
  • Vermelho de Fenol - 0,08g
  • Gentamicina - 10,0g
  • Vancomicina - 2,5g
  • Cristal Violeta - 2,0g
  • Polimixina - B 6,000U
  • Ágar - 14,0g

 O pH final é 6.8 ± 0.3

Os agentes seletivos cristal violeta, a polimixina B, gentamicina e a vancomicina, inibem organismos comumente encontrados nas secreções respiratórias que não sejam o Bcc. Sacarose e lactose são carboidratos para enriquecimento e diferenciação com vermelho de fenol como indicador de pH.

OBS.: Embora esse meio já exista, atualmente somente a Plastlabor fornece a formulação de acordo com o capitulo 60 da USP. Isso é importante ser verificado para qualquer meio farmacopeico, A Plastlabor já fornece em placas prontas. Acredito que posteriormente outros fabricantes vão se adequar.

O meio deverá ser armazenado em ambiente com temperatura controlada entre 2 - 15°C ao abrigo da luz.
Cabe ressaltar que, a faixa de temperatura escolhida para o seu armazenamento deverá ser seguida até o término do seu prazo de validade, a fim de evitar a formação de água de condensação no produto.

Micro-organismos Indicados para o Teste de Grow Promotion

Para verificar a esterilidade dos meios de cultura, colocá-los em incubação por, no mínimo, 72 horas, na temperatura adequada. Não deve haver crescimento microbiano ou alteração de cor.

Os micro-organismos citados pela United States Pharmacopeia para o teste de Grow Promotion em BCSA são:

Para promoção de crescimento (verificar a seletividade):
B. cepacia ATCC 25416, B. cenocepacia ATCC BAA 245 e B. multivorans ATCC BAA 247

Para verificar capacidade inibitória:
Pseudomonas aeruginosa ATCC 9027, NCIMB 8626, CIP 82.118, ou NBRC 13275 e Staphylococcus aureus ATCC 6538, NCIMB 9518, CIP 4.83, ou NBRC 13276

Outros micro-organismos podem ser inoculados, de acordo com a metodologia usada.  

Inocule no meio pequeno número (não mais de 100 UFC) do micro-organismo teste. Incubar na temperatura e tempo especificados no ensaio de pesquisa B. cepacia.

Realizar GP em cada novo lote de meio de cultura adquirido pronto para uso ou preparado no laboratório, em paralelo com um meio de cultura previamente aprovado.
Os micro-organismos devem ser rastreáveis de uma Cultura de Coleção de Referência e devem estar em não mais do que 5 passagens da Cultura de Referência. Compare o crescimento no novo meio de cultura com o crescimento no meio previamente aprovado. O crescimento deve ser "comparável“. Não existe na USP a definição de quantidade do que é “comparável” Em paralelo realizar o controle do inóculo em ágar não seletivo: deve haver ≤ 100 UFC. E se não houver lote previamente aprovado? Considere adicionar outros Analistas do Laboratório. Use um número significativo de replicatas. A média das médias pode ser considerada como ponto de referência. Essas recomendações servem para a promoção de crescimento de qualquer meio.

A possível presença de Bcc é indicada pelo crescimento de colônias marrom-esverdeadas com halos amarelos, ou colônias brancas cercadas por uma zona vermelho-rosa no BCSA. Qualquer crescimento no BCSA é confirmado por testes de identificação.

Fontes:

United States Pharmacopeia 42ª ed. 2019
Certificado Plastlabor
Apresentação: Complexo Burkholderia cepacia (Bcc) - USP <60> - Apresentado pela Plastlabor



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

M-PA-C Agar






Indicação de uso

O meio M-PA-C Agar, é usado para o isolamento seletivo da Pseudomonas aeruginosa em amostras de água pela técnica de filtração em membrana. É o meio de escolha da Farmacopeia Brasileira 6ª edição e pelo Standard Methods For the Examination of Water and Wastewater, este último sendo o compêndio que a Farmacopeia Americana recomenda em seu capítulo 1231 WATER FOR PHARMACEUTICAL PURPOSES para análises microbiológicas em água.

Muitos dos meios utilizados para a recuperação da Pseudomonas aeruginosa pela técnica de membrana filtrante não tinha especificidade e era de valor limitado quando a microbiota heterogênea estava presente na amostra de água. Então Levin e Cabelli desenvolveram o M-PA Agar como um meio para filtração por membrana, seletivo para P. aeruginosa. Essa formulação incorporou antimicrobianos, canamicina, ácido nalidíxico, sulfapiridina e cicloheximida, que tornam o meio moderadamente seletivo. Novamente a formulação original foi modificada, elevando o pH e alterando a formulação e concentração de alguns componentes. O meio resultante foi designado M-PA-B Ágar. Brodsky e Ciebin modificaram esse meio, eliminando sulfapiridina e cicloheximida e produziram então o Agar M-PAC. Essa formulação resultou na capacidade de enumerar P. aeruginosa após apenas 24 horas de incubação a 41,5 °C em comparação às 72 horas necessárias com o ágar M-PA-B e 96 horas para um teste MPN presuntivo. O ágar M-PA-C é identificado como Modificado Agar M-PA Standard Methods For the Examination of Water and Wastewater

Pseudomonas podem ser encontradas na água (doce, salobra ou do mar), no solo, na poeira em suspensão, no ar e nos vegetais. Várias espécies de Pseudomonas têm sido isoladas em água mineral, incluindo P. mandelii, P. migulae, P. rhodesiae e P. veronii, mas a principal preocupação é a presença de P. aeruginosa, por ser a mais comum como patógeno oportunista para humanos.

Para a contagem de P. aeruginosa, utiliza-se a técnica de membrana filtrante (UFC/100mL). O método da filtração por membrana tem as vantagens de ser mais simples de executar, não exigindo a confirmação e permitindo uma contagem direta de P. aeruginosa. O procedimento de filtração em membrana é limitado à análise de amostras líquidas límpidas, sem sólidos em suspensão, que possam ser filtradas através de uma membrana de poro 0,45μm. Sua principal vantagem é que permite a inoculação de maiores volumes da amostra, concentrando na membrana os micro-organismos presentes na quantidade inoculada. O limite de detecção é de 1 UFC por volume inoculado, sendo indicado para amostras com contagens abaixo do limite de detecção de outros procedimentos. Porém, a área de exposição para o desenvolvimento bacteriano é pequena, sendo necessária, em muitos casos, a diluição do material para que as Unidades Formadoras de Colônia (UFC) consigam ser quantificadas nos casos em que houver uma contaminação elevada. A quantificação é feita pelo método de contagem em placas, utilizando o m-Pac como meio de cultivo.

Formulação e Preparo

Fórmula Aproximada Por Litro

  • L-lisina - 5,0 g
  • Cloreto de sódio - 5,0 g
  • Extrato de levedura - 2,0 g
  • Xilose - 1,25 g
  • Sacarose - 1,25 g
  • Lactose - 1,25 g
  • Vermelho de fenol - 0,08 g
  • Citrato de amônio e ferro III - 0,8 g
  • Sulfato de magnésio - 1,5 g
  • Ágar - 12,0 g
  • Tiossulfato de sódio - 5,0 g
  • Canamicina - 8,0 mg
  • Ácido nalidíxico - 37,0 mg
O pH final é 7.1 ± 0.2

O extrato de leveduras, a lisina e os carboidratos proveem os micro-organismos de nitrogênio, fonte de energia e vitaminas para o seu metabolismo. O cloreto de sódio mantém o equilíbrio osmótico, os sais proveem de íons, o vermelho fenol é utilizado como indicador que muda para amarelo com a produção de ácido resultante da fermentação dos carboidratos, a canamicina inibe a síntese da proteína em micro-organismos gram positivos, e o ácido nalidíxico bloqueia o crescimento de gram negativos. Agar é o agente solidificante.

O preparo do meio deve seguir as instruções do fabricante. Não autoclavar. Ferver o meio por um minuto. Use o meio dentro de 1 semana após a preparação

Devido à presença de substratos sensíveis, recomenda-se manter o produto protegido de incidência direta de luz (natural ou artificial) e evitar grandes variações de temperatura até a utilização.

Micro-organismos Indicados para o Teste de Grow Promotion

Para verificar a esterilidade dos meios de cultura, colocá-los em incubação por, no mínimo, 72 horas, na temperatura adequada. Não deve haver crescimento microbiano ou alteração de cor.

As farmacopeias não citam o ATCC de P. aeruginosa para esse meio em especifico. Neste caso pode-se usar o que o certificado do fabricante sugere: Pseudomonas aeruginosa ATCC 10145 e ATCC 27853 para controle positivo e  Escherichia coli ATCC 25922 para controle negativo

Inocule no meio pequeno número (não mais de 100 UFC) do micro-organismo teste. Incubar na temperatura e tempo especificados no ensaio de pesquisa Pseudomonas em água.

As colônias de 0,8-2,2 mm, de aparência plana, com bordas externas claras e centros marrom-esverdeados a preto-esverdeados são indicativas de Pseudomonas aeruginosa.

Fontes:

Difco & BBL Manual - Manual of Microbiological Culture Media – Second Edition
United States Pharmacopeia 42ª ed. 2019
Farmacopeia Brasileia 6ª ed. 2019
Hardy Diagnostics – Site acessado em 20/02/2020
Certificado Laborclin - LB 172177 - Rev 02 – 05/2018

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Fluid Thioglycollate Medium



Indicação de uso

O meio Fluid Thioglycollate Medium, também conhecido como Meio Fluído de Tioglicolato é um meio de utilização geral para cultura de anaeróbios, microaerófilos e aeróbios, e é recomendado como um dos meios de teste da esterilidade em produtos farmacêuticos pelas farmacopeias americana e brasileira, bem como a europeia e japonesa. É recomendado no Manual Analítico Bacteriológico (BAM) do FDA e Official Methods of Analysis of AOAC International para a análise de alimentos e para determinar o coeficiente de fenol e efeitos esporicidas de desinfetantes.

Quastel e Stephenson descobriram que a presença de uma pequena quantidade de um composto contendo um grupo –SH (cisteína, ácido tioglicólico, glutationa) permitiu o crescimento "aeróbico" de Clostridium sporogenes em caldo de digestão tríptico.

Falk, Bucca e Simmons apontaram as vantagens de usar pequenas quantidades de ágar (0,06-0,25%) na detecção contaminantes durante testes de esterilidade de produtos biológicos. O valor de combinar uma pequena quantidade de ágar e uma substância redutora foi demonstrado por Brewer. Os experimentos de Brewer revelaram que em meio líquido contendo 0,05% de ágar, os micro-organismos anaeróbios cresceram igualmente bem na presença ou ausência de tioglicolato de sódio. Marshall, Gunnish e Luxen relataram resultados satisfatórios sobre cultivo de anaeróbios no meio de tioglicolato de Brewer na presença de um conservante mercurial. Nungester, Hood e Warren e Portwood confirmaram a neutralização de o efeito bacteriostático de compostos mercuriais pelo tioglicolato de sódio. A incorporação de peptona caseína foi introduzida por Vera. Malin e Finn relataram que o meio comumente usado contendo tioglicolato é inibitório para alguns organismos da presença de carboidratos. Em 1941, o National Institutes of Health especificou o uso de dois meios de tioglicolato em testes de esterilidade, a Fórmula Brewer e a Fórmula Linden. A Fórmula Linden foi posteriormente denominada Modified Brewer Thioglycollate Medium no qual a infusão de carne foi substituída por peptonas vegetais (soja).

Formulação e Preparo

Fórmula Aproximada Por Litro 
  • Digerido pancreático de caseína - 15,0 g
  • L-cistina - 0,5 g
  • Dextrose - 5,5 g
  • Extrato de leveduras - 5,0 g
  • Cloreto de sódio - 2,5 g
  • Tioglicolato de sódio- 0,5 g
  • Resazurina - 0,001 g
  • Ágar - 0,75 g 

O pH final é 7.1 ± 0.2

A dextrose, a peptona, a L-cistina e o extrato de leveduras proporcionam os fatores de crescimento necessários para a replicação bacteriana. O cloreto de sódio fornece mantem o equilíbrio osmótico. O tioglicolato de sódio é um agente redutor que mantém uma baixa tensão de oxigênio removendo o oxigênio molecular do ambiente, isto é, cria condições anaeróbicas quando reduz o oxigênio molecular à água. Peróxidos, que podem ser letais para muitos organismos anaeróbicos, não são formados sob essa condição. A L-cistina também é um agente redutor, uma vez que contém grupos sulfidrila que inativam os compostos de metais pesados e mantêm um potencial de oxidação-redução baixo, suportando assim a anaerobiose. A resazurina é um indicador de oxidação-redução que fica cor-de-rosa quando é oxidado e transparente quando é reduzido. A adição de uma pequena quantidade de ágar no meio tioglicolato ajuda no início e no crescimento de pequenos inóculos e anaeróbios, impedindo a difusão de oxigênio no meio. Também retarda a dispersão de CO2 e a substância redutora do microambiente ao redor do inóculo.

O preparo do meio deve seguir as instruções do fabricante. Quanto ao tempo de esterilização, este deve estar de acordo com a qualificação do equipamento.

Nos casos em que os meios de cultura são utilizados para o teste de esterilidade de penicilinas e cefalosporinas pelo método de inoculação direta, a preparação do Meio fluido de tioglicolato deve ser modificada conforme descrito a seguir: Transferir, assepticamente, para os frascos esterilizados, contendo cada meio quantidade de β-lactamase suficiente para inativar o antibiótico presente na amostra.

Micro-organismos Indicados para o Teste de Grow Promotion

Os compêndios trazem uma lista com os microrganismos a serem inoculados para o teste de grow promotion (também conhecido como teste de promoção de crescimento ou capacidade nutritiva dos meios de cultura). Outros micro-organismos, como cepas in house podem ser inoculados também de modo a comprovar a capacidade do meio de recuperar os mesmos. Inocular menos que 100 UFC do micro-organismo teste ao meio. Incubar à temperatura adequada e observar o crescimento visível comparando com um controle (branco) do mesmo meio de cultura.

Para verificar a esterilidade dos meios de cultura, colocá-los em incubação por, no mínimo, 72 horas, na temperatura adequada. Não deve haver crescimento de micro-organismos.

Os microrganismos citados pela United States Pharmacopeia e Farmacopeia Brasileira para o teste de Grow Promotion em Tioglicolato Fluido são:

Staphylococcus aureus ATCC 6538, NCTC 10788, NCIMB 9518, CIP 4.83, NBRC 13276, INCQS 00039
Pseudomonas aeruginosa ATCC 9027, NCIMB 8626, CIP 82.118, NBRC 13275, INCQS 00230
Clostridium sporogenes ATCC 19404, NCTC 532, CIP 79.3, INCQS 00352 ou ATCC 11437, NCIMB 14239, CIP 100651, NBRC 14293

Bacteroides vulgatus (ATCC 8482, NCTC 11154, INCQS 00059) pode ser utilizado alternativamente a Clostridium sporogenes, quando não for necessário o uso de um micro-organismo esporulado.

Uma alternativa a Staphylococcus aureus é o Bacillus subtilis (INCQS 00001, ATCC 6633, CIP 52.62, NBRC 3134, NCIMB 8054, NCTC 10400).

Um micro-organismo alternativo para Pseudomonas aeruginosa é a Kocuria rhizophila (INCQS 00010, ATCC 9341, CIP 53.65, NCTC 8340).

O teste de promoção de crescimento é considerado válido se houver evidência de crescimento microbiano, visualizado pela turvação e/ou por métodos microscópicos, após três dias de incubação dos meios inoculados com bactérias. Aeróbicos estritos crescerão apenas na faixa rosa, Os microaerófilos crescerão perto do fundo da banda, onde a concentração de oxigênio é menor. Os anaeróbios facultativos e os anaeróbios aerotolerantes crescerão por todo o tubo. Os anaeróbios facultativos crescem em todo o meio, mas mais concentrados na parte inferior e os aeróbios facultativos crescem por toda a parte, mas mais no topo. O facultativo cresce mais densamente onde o oxigênio está presente.



Fontes:

Difco & BBL Manual - Manual of Microbiological Culture Media – Second Edition
United States Pharmacopeia 40ª ed. 2017
Farmacopeia Brasileia 6ª ed. 2019

sábado, 5 de outubro de 2019

Columbia Agar Base




Indicação de uso

O meio Columbia Agar Base, também conhecido como Columbia Agar ou Agar Columbia, com ou sem a adição de 5% (ou 10%) de sangue de ovelha, é um meio altamente nutritivo de uso geral utilizado para o isolamento e cultura de micro-organismos não exigentes e exigentes provenientes de amostras clínicas, e pesquisa de Clostridium em amostras de cosméticos, produtos descartáveis e produtos farmacêuticos. Está em conformidade com a Farmacopeia Brasileira (FB), Farmacopeia dos Estados Unidos (USP), Farmacopeia Europeia (EP) e Farmacopeia Japonesa (JP).

Ellner et al., em 1966, relataram o desenvolvimento de um formulação de agar, que foi designada como Columbia Agar. A base alcança o crescimento mais rápido e exuberante obtido a partir de hidrolisado de caseína com melhor definição de reações hemolíticas, morfologia colonial mais típica e melhor produção de pigmento alcançada com meios contendo infusão de peptona.

O Columbia Agar Base é utilizado como base para meios contendo sangue e para formulações seletivas de meios em que várias combinações de agentes antimicrobianos são usadas como aditivos.

O Columbia Agar está listado como o único meio recomendado para o isolamento de Clostridium sp em produtos farmacêuticos não estéreis.

Formulação e Preparo

Fórmula Aproximada Por Litro 
  • Hidrolisado de pancreático de caseína - 10,0 g
  • Peptona de carne digestão - 5,0 g
  • Digesto pancreático de coração - 3,0 g
  • Extrato de levedura - 5,0 g
  • Amido de milho - 1,0 g
  • Cloreto de sódio - 5,0 g
  • Ágar, de acordo com o poder gelificante - 10,0 - 15,0 g 
O pH final é 7.3 ± 0.2

As propriedades para suportar um crescimento superior do ágar Columbia derivam da combinação de duas peptonas com extrato de levedura como uma fonte de vitaminas de complexo B. O amido fornece uma fonte de carbono e o cloreto de sódio mantém o equilíbrio osmótico. O amido de milho também tem a função de absorver os subprodutos tóxicos contidos nas amostras e funciona como uma fonte de energia para os organismos que possuem alfa-amilases. O Agar é o agente solidificante.

O preparo do meio deve seguir as instruções do fabricante. Esterilizar em autoclave usando ciclo validado. Esfriar para 45 °C a 50 °C e adicionar, se necessário, sulfato de gentamicina correspondente a 20 mg de gentamicina base, verter em placas de Petri.

Micro-organismos Indicados para o Teste de Grow Promotion

Para verificar a esterilidade dos meios de cultura, colocá-los em incubação por, no mínimo, 72 horas, na temperatura adequada. Não deve haver crescimento microbiano ou alteração de cor.

Os micro-organismos citados pela United States Pharmacopeia e Farmacopeia Brasileira para o teste de Grow Promotion em Columbia Agar são:

Para promoção de crescimento (verificar a seletividade):
Clostridium sporogenes ATCC 11437 (NBRC 14293, NCIMB 12343, CIP 100651) ou ATCC 19404 (NCTC 532 ou CIP 79.3).

Outros micro-organismos podem ser inoculados, de acordo com a metodologia usada.  

Inocule no meio pequeno número (não mais de 100 UFC) do micro-organismo teste. Incubar na temperatura, condições e tempo especificados no ensaio de pesquisa Clostridium.

O crescimento de colônias catalase negativas, com micromorfologia de bacilo Gram positivo (com ou sem endósporos) indica presença provável de Clostridium.

Fontes:

Difco & BBL Manual - Manual of Microbiological Culture Media – Second Edition
United States Pharmacopeia 40ª ed. 2017
Farmacopeia Brasileia 6ª ed. 2019


terça-feira, 17 de setembro de 2019

Endotoxinas bacterianas - Realização das Análises

Olá caros colegas, quebrando um pouco a sequência de posts sobre meios de cultura, publico esse sobre Endotoxinas. Esse texto foi elaborado pela minha grande amiga Janaina Fernandes, Bióloga e Farmacêutica que tem um vasto conhecimento sobre o assunto.

Abaixo, estaremos falando dos detalhes da realização dos ensaios para avaliação de endotoxinas bacterianas.  Independente da farmacopeia ou protocolo a ser utilizado, os cuidados serão os mesmos.

Materiais

Obrigatoriamente, os materiais utilizados para a realização deste ensaio devem ser apirogênicos, ou seja, ausente de endotoxinas ou pirogênio.
As ponteiras das micropipetas, os frascos para diluição, os tubos para analise ou preparo da curva de calibração, a água para diluição das amostras, buffer, pinça para pesagem, tudo deve ser apirogênico.
Isso é uma condição essencial para que o resultado seja confiável e correto.
Para tal, os materiais podem ser comprados nessas condições ou no caso dos vidros e metais, podem ser despirogenizados in loco. Existem diversas técnicas para despirogenização, sendo o calor seco, a técnica mais utilizada. Para que seja eficaz, a estufa deve ser qualificada e validada segundo preconiza as farmacopeias. Sempre que for despirogenizado material, deve ser feito o monitoramento dos lotes com padrões específicos (vials) que podem ser adquiridos no mesmo fornecedor do lisado ou verificar conforme procedimentos internos.

Ambiente

Preciso trabalhar num ambiente estéril para fazer a analise de endotoxinas bacterianas?
Não é necessário fazer as diluições ou a analise em ambiente estéril, somente limpo.

É obrigatório fazer as diluições ou manipulação do lisado em fluxo laminar? Por quê?
Não, tudo pode ser feito em bancadas previamente limpas, porque a analise verifica a presença de endotoxinas que somente é liberada para o produto pós-processo de esterilização, ou seja, com a morte de bactérias gram-negativas, na maioria das vezes.

Como fazer as diluições


Como fazer as diluições é uma dúvida extremamente comum.

Para a análise de endotoxinas bacterianas, trabalhamos com volumes muito pequenos. Para fazer as diluições calculadas ou validadas, utilizamos micropipetas. Existem diversas marcas no mercado. Para tal, devem-se adquirir equipamentos confiáveis, com boa precisão e poucos erros. Dependendo da sua rotina de análises e diluições a serem realizadas, podem-se utilizar micropipetas de volume fixo ou de volume variável. Quando há a necessidade de preparo de volumes maiores de 10mL, pode-se fazer uso de pipetas apirogênicas ou pipetas automáticas de volumes variados ou fixos.

Observação: para o preparo das diluições devemos fazer uso de materiais apirogênicos, ou seja, com ausência de pirogênio ou endotoxinas conforme já descrito nos itens anteriores.




Na rotina, fazemos diluições de varias formas, uma delas é a seriada.


Como o próprio nome já diz, são diluições que fazemos em série. Como assim? Fazemos uma sequencia de diluições onde uma é parte integrante da outra.

Observação: Para manter a exatidão e reduzir os possíveis erros, utilizamos sempre a mesma micropipeta ou outras para volumes menores em menor quantidade de vezes possível.

Exemplo: Como eu faço uma diluição 1:120?

Dependendo do volume final que você irá preparar, faça a separação dos equipamentos e materiais necessários. No caso aqui, será o preparo de 1mL de volume final. Lembre-se que para a analise de endotoxinas, normalmente utilizamos volumes inferiores a 1mL (quando temos o produto ou matéria-prima já em rotina).


Pra quem não gostava das aulas de matemática na escola, sinto dizer, mas vão colocar em prática muitas das coisas que achava que nunca usaria, como raciocínio lógico, por exemplo.


Neste caso, serão utilizadas micropipetas de volume variável.

Diluição 1:12 é a mesma coisa que 1+11, ou seja, 1mL do produto inicial + 11mL de água apirogênica, como 12mL de volume final é muito desperdício de material, trabalharemos com volume menor, portanto, 10x menor. Nesse caso utilizamos 0,1mL do produto inicial + 1,1mL de água apirogênica na primeira diluição. Como estamos falando em 1:120, temos que fazer uma segunda diluição 1:10.

Mas por que 1:10?

Porque quando fazemos diluições seriadas estamos trabalhando com múltiplos. Portanto, fizemos uma primeira diluição 1:12 e a segunda 1:10, assim 12 x 10 = 120.

Nesse caso, como eu quero preparar somente 1mL de volume final, para não ter desperdício, fiz a diluição trabalhando com proporções. 1:12 é a mesma coisa que 0,1:1,2

Se fosse 1:288, como poderíamos fazer?

Primeiro faremos diluição 1:12 e depois pegamos 1mL da solução anterior e fazemos a diluição 1:24

Se fosse 1:100? Quero preparar 1mL, vou usar 0,01mL do produto mais 0,99mL de água apirogênica, ou seja, 10mL do produto mais 990mL de água apirogênica ou 2 diluições seriadas 1:10, onde 10x10 = 100.

Caso tenham dúvidas, deixem nos comentários que eu encaminho para Janaina.

Até o próximo post!